segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Qualquer semelhança não é mera coincidência...

Pelas Ruas - Parcão poderia ter sido condomínio de luxo
(09-Nov-2008 )

Mobilização da comunidade garantiu o verde
O Parque Moinhos de Vento, que comemora 36 anos como concorrido reduto de lazer dos porto-alegrenses, poderia ter sido um loteamento de condomínios de luxo.
A destinação imobiliária da área foi defendida quando o Jockey Clube deixou o local e se transferiu para o bairro Cristal. A proposta, porém, foi repelida pela comunidade, que defendia a construção de um parque no local.


FONTE: PoaBoa - Jornalismo de rua para uma cidade melhor

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O Pontal da Janelinha

Continua a polêmica do Pontal do Estaleiro. Acontece que a turma dos camarotes sempre quer andar na janelinha. É a síndrome de cachorro de madame. Tem gente bem aquinhoada querendo se apropriar de uma parte da vista do Guaíba. Dá para entender este desejo de ficar em pé na frente dos outros. Afinal, é o que mais acontece. Até em show. É a lei do mais alto. Os ambientalistas são contra. A esquerda atuante apanha, mas não cede. Qualquer um que tenha uma mínima idéia de coletividade, mesmo sem ser militante de qualquer coisa, também não é favorável. A votação na Câmara de Vereadores, finalmente suspensa, fora adiada para 12 de novembro. Depois das eleições. Mas antes dos novos mandatos. Que coincidência! Por que mesmo se deveria aceitar a construção de cinco edifícios de 12 andares, um hotel, centro de convenções e prédios para escritórios na beira do rio? Quem vai ganhar com isso? Não haveria uma maneira de utilizar a área com um sentido mais público?

Em outros tempos, essa pergunta seria considerada anacrônica ou como o sinal de um comunismo patético. Agora, porém, quando o Estado deve comprar bancos para salvar o capitalismo das suas crises cíclicas, vale o atrevimento. A discussão a respeito do projeto passa por elementos contraditórios. O primeiro é que até agora não houve propriamente discussão. Ao menos, quanto à posição de todos os vereadores, que terão de mudar a lei para garantir assentos privilegiados a quem puder pagar muito para ler o jornal contemplando o pôr-do-sol no Guaíba sem ninguém na frente. Pelo que li, também não existe realmente um estudo de impacto ambiental. Embora esses dois elementos sejam relevantes, vou desprezá-los. Ficarei com uma questão bem mais rasteira: por que deixar um espaço tão espetacular restrito ao uso de poucos?

Ali, por exemplo, poderia ter sido construído o sambódromo. Ah, não? Era só uma idéia. A Vila Cai-Cai, lembram muitos participantes de associações comunitárias, foi retirada do seu local de origem devido à proibição de se morar nessa área de preservação. Faz sentido. Os defensores do projeto Pontal do Estaleiro certamente têm razões estéticas ’socialmente neutras’: favela enfeia a orla de um rio, já os condomínios de ricos, evidentemente, embelezam. A orla deve ser de todos. Quanto mais intocada, melhor. O sujeito tem de usar a orla para correr, brincar, pensar na vida, filosofar e refletir sobre a complexa relação entre natureza e cultura. Basta. De repente, até escreve um bom livro sobre o assunto. Agentes imobiliários, empresários da construção civil e toda sorte de idealizadores de ‘utopias’ urbanas para faturamento pessoal ou tribal devem ser mantidos longe do rio. Se for o caso, deve-se fazer uma corrente para abraçar e proteger a orla dos tubarões que compram por pouco para vender por muito.



Porto Alegre defendeu-se durante anos da invasão dos farrapos, que só tomaram a orla do Guaíba há pouco tempo. Pode, portanto, resistir novamente, agora a esse ataque desde dentro. É claro que os autores do projeto falam em estudos conseqüentes e em dar uma nova cara para a cidade. O tripé reuniria a Fundação Iberê Camargo, o novo shopping e o pontal. Cara nova é sempre um shopping mais alguma coisa. Porto Alegre já é a capital brasileira dos centros comerciais assépticos. Bate até São Paulo. Cinema em Porto Alegre está quase inviável. É quase tudo em shopping. Qual a relação? Simples. A orla não deve ser um shopping.



Juremir Machado da Silva
Publicado no jornal CORREIO DO POVO em 01/11/2008
*O autor autorizou a utilização de seu texto nos Blogs.

Juremir Machado da Silva é um escritor, jornalista e professor universitário brasileiro.
É doutor em Sociologia pela Universidade de Paris V: René Descartes. Em Paris, de 1993 a 1995, foi colunista e correspondente do jornal Zero Hora. Atualmente, é professor do curso de Jornalismo da Faculdade de Comunicação Social da PUC-RS e coordenador do programa de pós-graduação em Comunicação da mesma universidade. Também assina uma coluna seis vezes por semana (de quinta a terça-feira) no jornal Correio do Povo de Porto Alegre/RS

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

De Modelo ao Brasil - ZH Bairros

ZERO HORA – Caderno ZH Moinhos (09 de outubro de 2008 N° 15753)

De modelo ao Brasil

“A reportagem do Jornal Nacional, da Rede Globo, divulgada no dia 26 de setembro, tomou como referência nacional nossa associação de bairro (Moinhos Vive), em face das várias ações visando preservações ambientais e do patrimônio cultural de Porto Alegre, como exemplo a ser seguido por outras comunidades do Brasil.


Sentimos de imediato uma ampla repercussão, não só local, mas nacional e até internacional. Uma das ações de maior repercussão foi o tombamento de conjuntos arbóreos de muitas ruas e praça, que pelo seu ineditismo despertou interesse e curiosidade de grupos ambientalistas que se mostraram surpresos com a atitude, vinda de uma cidade sul-americana, servindo como exemplo a cidades do primeiro mundo.

Nos sentimos felizes em constatar que as ações coletivas, sempre buscando o bem comum, estão sendo objeto de reportagens com âmbito nacional, cujo objetivo é despertar a consciência e a cultura da população brasileira.

Para finalizar, conforme declarou nosso presidente Raul Agostini, ao Jornal Nacional:

– Atualmente, se constata um gradual crescimento da conscientização das pessoas, no sentido de que devem decidir os destinos deles, de seus filhos e de seus netos assumindo a sua cidadania. Os governantes devem ser mero reflexo das nossas decisões.”

Paulo Vencato, associado do Moinhos Vive

Veja a reportagem na íntegra no link: http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL775812-10406,00-PARTICIPACAO+DO+ELEITOR+VAI+ALEM+DO+VOTO.html


segunda-feira, 27 de outubro de 2008

28 de outubro



Dia 29 de outubro