quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Moinhos Vive
Este video mostra a atual situação urbana do bairro Moinhos de Vento em Porto Alegre. De um lado, o caos do desenvolvimento urbano cresce desordenadamente e, do outro, um bairro que ainda possui um conjunto histórico de edificações, memória viva da cidade que deve ser preservada!
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Parecer do Compahc sobre casarões pode sair na segunda-feira
Leia a notícia de Cláudia Rodrigues Barbosa no Jornal do Comércio publicada na edição impressa de 24/09/2013:
Imóveis foram construídos na década de 1930 na rua Luciana
de Abreu
A discussão sobre o valor histórico de seis casas na rua
Luciana de Abreu, no bairro Moinhos de Vento, voltou a pautar a reunião
ordinária do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural (Compahc),
realizada ontem, em Porto Alegre.
O Compahc analisou durante a semana que passou o acórdão da
decisão da 22ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ),
que permite a demolição do casario da década de 1930. “Hoje (ontem) foi feita
uma reunião, com a assessoria da prefeitura, de esclarecimentos de pontos
jurídicos a respeito do que significará a nossa decisão”, afirma o conselheiro
representante do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) Nestor Torelly.
Segundo ele, o parecer do conselho com a sugestão à prefeitura sobre a inclusão
ou não dos prédios no inventário do patrimônio histórico poderá ser definido no
encontro da próxima segunda-feira. “Ainda estamos na fase de esclarecimentos”,
diz.
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP) já havia dito
que iria recorrer da decisão do TJRS. A incorporadora Goldsztein, que pretende
fazer um projeto imobiliário no local, considera legítimo o movimento do MP,
apesar de frisar que durante dez anos a Justiça investigou tudo o que diz
respeito aos imóveis e não encontrou razões para preservá-los. “Não ficou
comprovada a autoria do arquiteto alemão Theo Wiederspahn naquelas casas”,
afirma o advogado da empresa, Milton Terra Machado.
Na semana passada, o Compahc iniciou a averiguação dos novos
documentos que comprovariam que o casario seria de autoria de Wiederspahn. O MP
já havia tentado acrescentar ao processo as plantas arquitetônicas, encontradas
em setembro por Cláudio Aydos, herdeiro de Alberto Aydos, parceiro de Theo
Wiederspahn na obra, e que apontariam que as casas foram projetadas pelo
alemão. O tribunal não aceitou as provas por não ser admitido no sistema
processual civil a inclusão de documentos ao processo nesta fase do julgamento.
Para o MP, o casario foi injustificadamente excluído do
inventário feito pela prefeitura mesmo fazendo parte do legado deixado pelo
arquiteto alemão. A incorporadora afirma que as seis casas nunca fizeram parte
dos imóveis listados e salienta que outros 127 foram destacados no bairro.
Desde 2003, uma liminar favorável ao MP impedia que a
Goldsztein desse prosseguimento a seu projeto. No dia 12 de setembro, de forma
unânime, o TJ confirmou a sentença de primeiro grau, a qual diz que as casas
não possuem valor excepcional que justifique a inclusão no rol do patrimônio
histórico.
Associações organizam manifestações contra a derrubada do
casario
As organizações que defendem que os casarões da rua Luciana
de Abreu possuem valor histórico, cultural e arquitetônico estão organizando
protestos pela causa. Para amanhã, a associação Defender - Defesa Civil do
Patrimônio Histórico promove a manifestação intitulada
#vemprarualucianadeabreu. Por meio das redes sociais, a Defender declara que
vem acompanhando a situação e as “ameaças que o casario da rua Luciana de Abreu
sofre há bastante tempo”. A concentração está marcada para as 16h30min em
frente aos imóveis.
Para o mesmo dia e local, por volta das 17h, está programado
um “café-manifesto” em prol do “cenário urbano de Porto Alegre”. Batizado de
Aprisionando a Luciana – Manifesto pela Nossa Cidade, a página no Facebook
instrui os interessados a levar mesas, cadeiras e instrumentos musicais.
No dia 28, o casario receberá uma homenagem de integrantes
do Moinhos Vive e adeptos da preservação dos imóveis. Também programado via
redes sociais, o evento Pare na Luciana já tem 280 confirmados e deve ocorrer
das 16h às 22h.
No sábado passado, o Conselho Superior do IAB aprovou moção
de apoio à defesa do casario. O documento foi chancelado por mais de 60
arquitetos de 14 estados, que participavam de evento na Capital.
Dissecação
O caso da demolição das Casas da Rua Luciana de Abreu se
apresenta complexo e desperta reações inflamadas, mas a lógica é simples e
imbatível:
- o direito à
construção: todos têm o direito a edificar sobre sua propriedade cumprindo os
ditames e regramentos municipais;
O terreno está “limpo”? Segue em frente!
O terreno ou lote já está edificado?
- o direito à
demolição: para que exista é necessário consultar os órgãos responsáveis pelo
patrimônio – cultural, histórico, ambiental da cidade. No caso presente:
- É
Patrimônio Cultural? Objetivamente sim, são mais de 7600 assinaturas pedindo
pela preservação do conjunto de casas; este número transborda da população do
bairro provando que o local foi apropriado pela população da cidade!
- É Patrimônio
Ambiental? Objetivamente sim, o conjunto faz parte do “coração” do bairro,
possui arborização abundante e ainda está
integrado ao “túnel verde” da rua Luciana de Abreu.
- É Patrimônio
Histórico? Objetivamente sim. Cinco casas foram projetadas formando um conjunto
implantado no terreno em suave curva acompanhando o traçado da rua. Nada mais
nada menos, este conjunto arquitetônico ÚNICO é da autoria do maior arquiteto
do RS, Theodore Wiederspahn, profissional com obras tombadas aqui e no
exterior.
Conclusão: o direito à demolição não pode ser concedido.
Para estes casos a Prefeitura possui os instrumentos legais
adequados, perfeitamente aplicáveis no caso,
que é a indenização do direito de construir em outro local. Os
proprietários passam a dispor de todo o potencial construtivo para venda a
terceiros – é como se fizessem um negócio com o terreno. Porém, existe uma
enorme vantagem para os proprietários: podem vender o potencial construtivo mas
ainda FICAM DONOS DOS IMÓVEIS podendo explorá-los da maneira que entender.
Estima-se que o aluguel daquelas casas rendam mais de 250 mil ao mês.
Para citar apenas casos mais conhecidos já ocorridos na
cidade: o Pátio Rizzo na R. Padre Chagas e o restaurante Chef Philipe na Av.
Independência, casas tombadas que foram indenizadas com índices construtivos.
Portanto, não há mistério algum no negócio, a população não
vai ser onerada em nada e nenhum
proprietário perderá sequer um níquel, só ganhos para todos.
O único envolvido que não terá as expectativas econômicas
atendidas será a construtora que não alcancará o lucro esperado com a atividade
de construir. Vejam bem, perder ela não perde nada!
Texto de Manoel Tostes.
Arquitetos de todo o Brasil em defesa do casario na Luciana de Abreu
Em reunião do Conselho Superior do IAB ocorrida na semana
passada, entre quinta-feira e sábado, foi definido por unanimidade a emissão de
uma Moção pela Preservação Cultural do conjunto de casas da Rua Luciana de
Abreu, com apoio dos IABs de outros estados Brasileiros. O protesto já é
nacional.
Fonte: IAB-RS
23/09/13
Durante encontro da 144ª Reunião do Conselho Superior (COSU)
do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), os conselheiro da entidade
aprovaram por unanimidade uma moção de apoio às instituições, entidades e
moradores que estão promovendo a defesa do casario da Rua Luciana de Abreu.
O documento foi aprovado por mais de 60 arquitetos e urbanistas
em delegações de 13 estados brasileiros e do Distrito Fedaral, demonstrando que
a preocupação com a preservação deste patrimônio transcende as fronteiras da
cidade e do Rio Grande do Sul, sendo um tema de importância nacional.
Leia abaixo o texto aprovado neste sábado, 21 de setembro de
2013:
144ª Reunião do Conselho Superior do Instituto de Arquitetos
do Brasil
Moção Nº 02 - aprovada por unanimidade pelo plenário.
Interessado: População de Porto Alegre.
Proponente: IAB RS, com apoio de IAB CE, IAB PR, IAB DF, IAB
BA, IAB MS e IAB PE.
Ementa: Pela preservação do patrimônio histórico, artístico
e cultural das cidades Brasileiras – Episódio Casas da Luciana de Abreu, bairro
Moinhos de Vento, em Porto Alegre.
Considerando:
1. O recorrente
desrespeito pela história das cidades brasileiras e do patrimônio arquitetônico
por parte das grandes empresas de empreendimentos imobiliários;
2. As
dificuldades de setores do poder público responsáveis de zelar pela preservação
do patrimônio, que resultam, muitas vezes, em uma atuação frágil e vacilante;
3. A
responsabilidade dos arquitetos e urbanistas frente a esta prática predatória
dos testemunhos de nossa história;
4. O episódio
específico de risco de demolição de imóveis em Porto Alegre com características
históricas culturais e arquitetônicas importantes – conjunto de casas na Rua
Luciana de Abreu, no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre.
O Conselho Superior do IAB manifesta:
§ No entendimento que
esta prática deve ser eliminada e substituída pela valorização das cidades
brasileiras, de seu patrimônio histórico, artístico e cultural, representado
com destaque por sua arquitetura:
§ Total apoio às instituições,
entidades e moradores que estão defendendo a preservação do casario da Rua
Luciana de Abreu, conjunto arquitetônico representativo de um período histórico
e da paisagem urbana daquele bairro e da cidade.
