quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A Paisagem Cultural de um bairro, do nosso Moinhos de Vento


Fruto das proposições estabelecidas na Convenção Europeia da Paisagem, o tema das paisagens culturais coloca-se na atualidade como uma forma inovadora de conceber a proteção e a gestão do patrimônio cultural.

Em primeiro lugar porque permite superar a dicotomia até hoje presente na atuação dos órgãos públicos de preservação, no que diz respeito ao tratamento entre o patrimônio material e imaterial, entre o natural e o cultural, entendendo-os como um conjunto no qual os seus diferentes significados se articulam num todo vivo e dinâmico.

Por outro lado, a forma como têm sido desenvolvidas as primeiras experiências na esfera pública patrimonial em território nacional mostra outra faceta igualmente interessante na atuação em paisagem cultural: a compreensão de que a proteção e a gestão deste patrimônio devem ser feitas com a participação das populações moradoras, por meio do envolvimento e da valorização dos saberes locais.

Quem destrói arquitetura de valor patrimonial é um inimigo de sua cidade e de seu país e prejudica a comunidade, pois as obras de arte públicas não foram criadas para esse ou aquele indivíduo, e aquilo que elas encarnam enquanto obras de arte ... recordações ou qualquer outro sentimento, é um patrimônio ... Ter consciência disso deve ser uma obrigação de toda a pessoa culta - Max Dvorák e Paulo Bicca.


terça-feira, 1 de outubro de 2013

Tombamento: que bicho é esse?

Post sobre tombamento no blog Chega de Demolir Porto Alegre.


Tombamento: que bicho é esse?

          Existe uma polêmica bem atual acerca de um patrimônio cultural e afetivo de Porto Alegre.  Todos já ouviram algo sobre o assunto, seja da parte de quem quer preservar, seja da parte de quem acredita que o desenvolvimento passa, necessariamente, por megaconstruções. Muitos, provavelmente, sequer se sentem atingidos por essa discussão, achando que tem coisa mais importante para se preocupar. No que estão errados, pois, mesmo que morem em outro extremo, a cidade é um organismo vivo, no qual seus bairros, tal como sistemas orgânicos, se inter-relacionam. As casas da Rua Luciana de Abreu trouxeram maior visibilidade ao assunto, que não é novo, mas que precisa urgentemente de um sopro de modernidade.

          Isso porque a questão da preservação dos bens culturais, hoje, atende uma outra dinâmica.  Conceitos como bens culturais imateriais e valor afetivo foram introduzidos nas políticas culturais do país. A perspectiva de conservação de nossa memória ampliou-se, deixando para trás os ideais nacionalistas típicos dos países em construção.  Tempos em que apenas edificações excepcionais, de incontestável valor arquitetônico e histórico, tinham o direito de ser protegidos.

          Os anos passaram, os conceitos mudaram, as cidades cresceram, a cidadania começa a se estabelecer. Atualmente, as pessoas não mais aceitam ser alijadas dos processos de decisão sobre as coisas que lhes dizem respeito.  A participação é obrigatória, antes mesmo de ser um direito. Contudo, um instrumento fundamental de proteção permanece o mesmo, desde – pasmem – 1937. É o ato administrativo denominado Tombamento, nome, aliás, que causa muita confusão. O termo refere-se ao registro do bem que se quer proteger em um dos quatro livros do Tombo existentes. Sua origem é do Direito Português, sendo que o verbo tombar significa registrar, inventariar ou inscrever bens nos arquivos dos nossos colonizadores. O livro onde eram inscritos os bens permanecia guardado na Torre do Tombo, Castelo de São Jorge, Lisboa.

          Para muitos proprietários de imóveis, falar em tombamento significa dizer que seu bem está irremediavelmente perdido. Se é verdade que nele vão incidir restrições, há de se dizer, no entanto, que muito se pode fazer. O bem pode ser alugado, vendido, restaurado e, mais do que tudo, utilizado. Há procedimentos a serem observados, se o proprietário quiser restaurar ou modificar seu uso. Além disso, existem alguns incentivos fiscais para restauração, conservação e manutenção do bem, como redução no Imposto de Renda ou no IPTU. Mas acredito que isso ainda é muito pouco como incentivo por parte do poder público. E uma nova política nesse sentido deve ser debatida com a sociedade e, sem demora, implementada. Com isso é possível que discussões como essa que as Casas da Luciana trouxe sejam minimizadas, aliando a preservação do bem ao proveito econômico justo, transformando a cidade num espaço de convívio mais democrático e sem perder elementos que lhe atribuem identidade.

Manifestantes ocupam Rua Luciana de Abreu em defesa de casarões antigos

Manifestação foi marcada por música e projeções em vídeoFoto: Tadeu Vilani / Agencia RBS



Música, projeções em vídeo e pessoas de todas as idades, moradores ou não do bairro Moinhos de Vento, marcaram o Pare na Luciana, evento criado e divulgado via Facebook, com o objetivo de sensibilizar autoridades para a preservação do casario, construído na década de 1930, na Rua Luciana de Abreu.

Hoje, o Ministério Público vai recorrer da decisão que, ao negar o valor histórico das construções da Luciana de Abreu, permitiu à empresa Goldsztein dar início à construção de um edifício de 16 andares no local

— Estamos confiantes, e na expectativa de uma atitude administrativa da prefeitura que considere a vontade da população local de preservar estas casas — disse o presidente da associação Moinhos Vive, Raul Agostini.

O evento, que começou por volta das 16h de ontem, contou com apresentações musicais e projeções de vídeo.

A escritora Carol Bensimon, que redigiu o manifesto contra a demolição das casas que está sendo divulgado nas redes sociais, comemorou a adesão da população.

Nos últimos dias, a construtora destacou que a documentação apresentada pelo MP não traz novidades ao processo, iniciado há 10 anos, que teve parecer favorável à Goldsztein. A construtora lembra que as casas ficaram de fora do inventário do patrimônio cultural do município, que prevê a conservação de 127 imóveis do Moinhos de Vento.

Milton Terra, advogado da construtora, foi procurado por ZH entre às 17h e 20h30min, para comentar a manifestação, mas não atendeu às ligações.

Fonte: Zero Hora

Ato em defesa dos casarões do Moinhos reúne 500 pessoas


Grupo não concorda com demolição para construção de edifício residencial

Cerca de 500 pessoas contrárias à decisão judicial que permitiu a demolição do casario da década de 1930, no bairro Moinhos de Ventos, zona nobre de Porto Alegre, participam, na tarde deste domingo, do evento “Pare na Luciana”.

Através de Facebook, quase 2,5 mil internautas confirmaram participação no ato de protesto que conta com shows, projeção de filmes, exposição de fotos de época, brechós, atividades para crianças e participação de chefs de culinária. A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) bloqueou o trânsito de veículos na rua Luciana de Abreu, entre as ruas Barão de Santo Ângelo e Padre Chagas, e intensificou a presença de agentes para monitorar a região.

MP vai recorrer da decisão

O Ministério Público vai recorrer, nesta segunda-feira, a fim de tentar reverter, no Tribunal de Justiça, a permissão para demolição de seis casarões construídos nos anos 30 na Capital. A decisão foi favorável à construtora Goldzstein, que pretende erguer um edifício residencial na rua Luciana de Abreu, bairro Moinhos de Vento.

Matéria no Tele Domingo

Veja no link matéria que saiu no Tele Domingo do dia 29/09/13 sobre a manifestação em frente às casas da Rua Luciana de Abreu.

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/teledomingo/videos/t/edicoes/v/moradores-bloquearam-a-rua-luciana-de-abreu-em-porto-alegre/2856143/